AÍLTON SOARES


Aílton Soares. 20 anos
Um jovem sério, objetivo e muito sábio, me refiro ao meu avô materno AÍLTON SOARES, digo jovem porque ainda menor de idade já se interessava pelo povo lassancense e pelo desenvolvimento de nossa cidade. 
"Vô Preto", nasceu em Lassance quando ainda era Distrito de Pirapora/MG, no dia 10 de janeiro de 1932, filho de João Soares e Maria Eugênia Soares, estudou até o quarto ano primário, residiu por pouco tempo em São Paulo onde trabalhou na construção da Via Anchieta e em Belo Horizonte trabalhou na Mundo Colegial.
Retornou para Lassance e aos seus 22 anos de idade candidatou-se a vereador e foi eleito na primeira (1954), segunda (1959), terceira (1963) e quarta (1967) Câmara de vereadores de uma cidade que acabava de nascer "Lassance", aos 33 anos ainda como vereador trabalhou de secretário municipal em diversos setores da prefeitura até os 38 anos, quando foi candidato e eleito Prefeito Municipal (1971). Aos 41 anos, retornou a trabalhar na prefeitura no SIAT e aos 45 anos foi eleito pela segunda vez, Prefeito Municipal (1977-19). 
Na suas Administrações criou com o seu filho Ramon Divaílton Soares o Brasão Municipal, a Bandeira Municipal e o Hino, com outros colaboradores instalou a rede de abastecimento de água pelo córrego São Gonçalo das Tabocas, assinou o convênio para instalação da CEMIG, instalou as agências de correios, trouxe o acesso asfáltico para cidade tanto na parceira com Governo Federal para construção da BR496 quanto na Avenida Nossa Senhora do Carmo e outras ruas da cidade, implantou várias unidades de saúde nas zonas rurais, firmou convênio com Telemig para instalação do posto telefônico, perfurou vários poços artesianos, conseguiu casas populares para a comunidade de Santa Maria, adquiriu a primeira ambulância, além de mais um veículo e uma máquina motoniveladora, dentre outras ações adorava escrever sobre Lassance e pesquisar sua história. 
Aos seus 51 anos de idade aposentou-se com funcionário público (1983), mas nunca deixou de apoiar e incentivar seus amigos, filhos e netos a protegerem a nossa história e nosso povo, suas ações voluntárias tanto na vida política quanto na vida íntima, de fraternidade e amor com o próximo foram realizadas por toda a sua vida, até vir a falecer em 12 de agosto de 1998 com 66 anos de idade.
Meu saudoso "Vô Preto", foi um exemplo de trabalho, de liderança política, de cidadão lassancense, de um bom homem. Meu maior ídolo, meu espelho, deixo aqui minha singela homenagem.
  
Júlio Sérgio Rabelo - 27 de setembro de 2012


APÓS TRABALHAR MUITO POR LASSANCE PASSOU A ESCREVER SOBRE A NOSSA HISTÓRIA



CRÔNICAS SOBRE LASSANCE ESCRITAS NA DÉCADA DE 80 POR AÍLTON SOARES

A CRUZ DO MORRO
Nem todos que passam pela estrada das Lajes e vêem aquela Cruz, sabem quem a construiu, Manoel Correia Amorim, homem humilde, que aqui viveu, até os meados desse século, foi o autor dessa ideia.
Para isso recorreu a amigos e conseguiu a madeira que foi doada por José Hermógenes, em Santa Rita, de onde foi transportada por Isidoro Ramos. Depois, ainda com o auxilio dos amigos (dentre eles Elpídio Soares, Chiquinho Soares Altivo, Vilú, Emílio Velho, Chico Boas, Manoel Cesário  Firmino Gonçalves e outros carpinteiros) foi construída a grande cruz e com a colaboração de José do Prado, foi transportada num carro de bois, único veiculo existente na localidade naquela época, até o morro, onde em 3 de maio de 1938, foi erguida com uma grande salva de fogos e cânticos de fiéis.
Talvez o autor quisesse com isto deixar sua marcada a sua passagem por esta terra, como se fosse um sacrifício para a sua humilde pessoa. Praticando uma ação pública, conseguiu a concretizar de sua ideia, que foi o simbolo de sua fé e o ideal que palpitava em seu coração.
Hoje o grande lenho ainda está erguido, no alto do morro e nos dá uma esperança, de que se todos que por aqui passarem, por mais humilde que seja, fizesse algo pela construção da cidade, poderíamos vê-la majestosa e bela como a CRUZ DO MORRO.

Minhas observações: Até hoje, a cruz do morro está de pé e pode ser visitada a qualquer hora do dia em Lassance, a estrada das Lajes é a estrada que segue em frente o trevo da cidade à 985 metros fica a Cruz. Ajude a preserva este bem histórico do nosso município.

AS RUAS DA FACA E DO TIRO
Não é vergonha contar. Lassance tem duas ruas que tiveram nomes não muito bonitos. Na rua da Faca, matava-se de faca. Na rua do Tiro, matava-se com tiro. Estas ruas foram palcos das mais horríveis cenas de morte e brutalidade. Nelas se matavam pra valer, contudo os mais antigos diziam, que tais cenas eram vistas com naturalidade, tendo em vista o baixo nível intelectual da época. Por  capricho do destino, a rua da faca chama-se hoje, Rua Dr. Carlos Chagas, em homenagem ao grande cientista e cirurgião, que deve ter usado uma faca para fazer cirurgias, aliviando o sofrimento humano. A rua do Tiro, passou a chamar Rua dos Expedicionários, em homenagem aos Pracinhas Brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial, defendendo o Brasil.

Minhas observações: A rua Dr. Carlos Chagas (rua da Faca) é a ultima rua do Bairro Barreiro e a rua Expedicionários é a rua dos Patrimônios Históricos Tombados (Estação Ferroviária, Casa de Saúde Dr. Carlos Chagas e Memorial Carlos Chagas)


A MINA DE CHUMBO
Segundo o Sr. Lucas, já com 100 anos de idade, existia aqui um barranqueiro do Rio das Velhas, chamado João dos Santos. Era fornecedor de chumbo para tarrafas, aos pescadores da época. Curiosos já tentaram descobrir a cobiçada mina, cujo roteiro foi um segredo que João dos Santos levou para o túmulo. Seria uma lenda, como as pedras verdes da Lagoa do Vapabuçu? Ou seria as minas de Prata de Rogério Dias? Quem sabe?


PRETA MARGARIDA
A velha Preta Margarida (Margarida Gomes Ribeiro) era uma das pessoas mais respeitadas entre os anos de 1920 e 1940. Ela vendia biscoitos e doces, tinha até o direito do ponto, para vender seus produtos na Estação da Central. Impunha normas de vida a qualquer um. Alta, corpulenta e de voz contundente, ela foi escrava e brigava muito, quando diziam que ela tinha mão de anjinho para benzer seus produtos.

Minhas observações: Vale lembrar como diz no Livro de Moisés Vieira Neto "Lassance o Berço histórico de Dr. Carlos Chagas" que a Preta Margarida é avó da filha lassancense de Dr. Carlos Chagas com sua cozinheira e ajudante Tercília Gomes Ribeiro, quando residiu em Lassance. A Preta Margarida além de avó, escolheu o nome  dela "Maria dos Impossíveis Franco" e dizia que teria este nome por ser uma menina impossível e também a criou após a morte de sua mãe que morreu no parto de outros dois meninos gêmeos que também seria filho de Dr. Carlos Chagas.
Por passar dificuldades Preta Margarida criou Maria dos Impossíveis até seus 12 anos de idade depois levou-a para o Rio de Janeiro e entregou  ao seu pai Dr. Carlos Chagas que com muito custo assumiu a paternidade e fez dela Farmacêutica e Bioquímica onde trabalhou no Instituto Manguinhos dirigido por Carlos Chagas no RJ.
Preta Margarida, sua filha Tercília e sua neta Maria Franco dos Impossíveis, estão enterradas no cemitério municipal de Lassance.


MESTRE PEREIRA
Não se pode falar da Lassance do passado, sem falar do senhor José Pereira Soares, o Mestre Pereira como era conhecido pelo povo da época. Homem trabalhador e respeitado pelas suas virtudes humanas. Foi trabalhador braçal da Estrada de Ferro e chegou à Mestre de Linha. Aqui ele construiu muitas casas e amparou muita gente. Não era político, mas foi mais que isso, foi exemplo de trabalho e de honradez para a legião de parentes e amigos, que ele amou com muito fervor. O Mestre Pereira faleceu em Belo Horizonte em 1936, seus restos mortais repousam no cemitério de Lagoa Santa.

Minhas observações: Atualmente em Lassance existem em sua homenagem a Rua Mestre Pereira, que é a rua da Escola Estadual José Soares Dias e da Paróquia Nossa Senhora do Carmo.

CAPITÃO HERMÍNIO RABELO
Pertencente à 4ª Geração de um casal de portugueses, que aqui chegaram no século XVII, nasceu na Fazenda da Piedade no ano de 1875, Filho de Severiano Antônio Rabelo e de Dona Joaquina, casou-se com Carolina Magalhães Rabelo.
Filho de fazendeiros dedicou-se à vida do campo, adquirindo grandes partes de terra na fazenda Piedade. Tornou-se homem respeitado por suas virtudes morais e com grande poder econômico, conseguiu o título de Capitão da Policia Militar de Minas Gerais, ao qual soube honrar com muita dignidade. Em suas terras desenvolveu atividades agrícolas e pecuárias. Em sua fazenda fabricava aguardente de alta qualidade, açúcar, rapadura, farinha de mandioca, queijo, requeijão e outros produtos agropecuários. Era Grande criador de gado bovino e fornecedor para abates na região. A figura amiga do Capitão, conquistou a simpatia dos seus amigos vizinhos a tal ponto de o transformarem em grande líder politico, conhecido em toda a região. Sua esposa faleceu em 1929 e ele em 1937 na capital mineira. Seus restos mortais repousam no antigo cemitério do Brejo da Piedade, onde era sua fazenda. Seu nome ainda hoje é cultuado por seus amigos e familiares na terra que tanto amou.

Minhas observações: hoje existem várias comunidades que rodeiam a comunidade Piedade, e em uma de suas comunidade vizinhas (Comunidade do Onça) foi erguida uma Escola Municipal Capitão Hermínio Rabelo que funciona até hoje na comunidade para a Educação Infantil.


OS RAIZEIROS E CURADORES
Desde os tempos remotos que existe a arte de benzer e fazer raizadas e garrafadas. Dentre eles, se destacaram muitos como: O velho Jeremias, que na fé de benzer, era respeitado como um santo poderoso. O Senhor Edizidério também era um respeitado curador. Teófilo Pires era outro famoso. João Cândido, Jordelina e ultimamente Soudy (Elpídio Soares Junior), que há vários anos executou a cura da doença, com seu remédio caseiro (garrafadas), onde diversas provas e exames realizados comprovaram a eficácia das plantas da região para a cura da Doença de Chagas. Soudy faleceu em 1987, deixando com a família, mais precisamente sua esposa e seu filho Alceu, a forma de aplicação das referidas plantas. Durante anos, um grande número de pacientes infectados, procuraram o remédio de Soudy. Seu filho continua a aplicar o remédio da cura.
Com mais de 20 mil vitimas por ano, o Mal de Chagas é hoje um grande fator de calamidade pública e precisa ser combatido a toda prova, comprovado está nas plantas abundantes da região. Falta uma determinação maios de nossas autoridades. No limiar de sua descoberta, Chagas já dizia que era necessário melhorar as condições habitacionais, obviamente, consistia em acabar com as cafuas do sertão propicias ao habitat do barbeiro, imprestáveis como habitação de suínos, é de todo incompatível com civilização de um povo.


PEDRO DIAS 
Não podemos precisar a data de chegada em Lassance do baiano Pedro Dias, acompanhado de sua Andrelina. O certo é que este casal liderou as fogueiras de São Pedro, por mais de sessenta anos. Sua casa era uma grande cafua de pau-a-pique, coberta de capim e paredes rebocadas de barro. O quintal era grande e bem fechado de madeira roliça deitada, no quintal tinha um grande terreiro, que foi palco das danças de Lundu, Recortado e Umbigada, cuja festas era irrigadas de cachaça e café com biscoito. Era muito comum a gente ver pessoas da sociedade lassancense de chapéu quebrado na testa e embussado em grande capas. Estas figuras embussadas, eram pessoas de alto conceito social que se dirigiam às festas, para não serem vistos pela sociedade puritana da época. Os que se encontravam lá e eram identificados, guardavam segredos eternos. Belas noites de junho, onde a garrucha e o facão era indispensável. Lá o belo sexo se fazia presente. Muita água de cheiro, muitos brincos e colares matizados. Depois que Andrelina morreu, o velho Pedro Dias ficou esquecido e abandonado, já paralitico, ao acender uma vela, por descuido, colocou fogo em seu colchão, tendo morrido queimado. Este foi o final triste de quem tão alegremente tinha vivido a vida.


CAROLINA DE JESUS
Vó Calu, primeira Parteira, Maria da Conceição Luzia.
Foi a Primeira parteira de Lassance, filha de escravos, criada como escrava, pessoa sofrida, mas cheia de carinho e dedicação.
Todas dedicava afeto e respeito e era respeitada por todos os seus netinhos com admiração e os abençoava sempre com o sorriso de mãe.
Abraçando a sua profissão, muito contribuiu para o progresso, a educação a saúde de seu povo.
Faleceu em 2 de março de 1955, com 98 anos de idade.
Com seu desaparecimento deixou saudades para toda a comunidade.
Foram suas seguidoras: Dona Antônia Alves, Dona mariquinha de Queiroz e Dona Leonídia.
Atualmente, temos a função orientada pelo Serviços da Fundação SESP com Guiomar Rodrigues e Natalina Raposo Pereira, e pelas funcionárias da Secretaria Municipal de Saúde.
Cada um precisa trabalhar para a história de nosso povo.

Minhas observações: Hoje em dia Dona Guiomar Rodrigues e Dona Natalina também faleceram, deixaram saudades, muito contribuíram para a história e cultura do nosso povo. O SESP já não presta mais orientações para parteiros e o hospital onde é feito o parto das lassancenses é o hospital público de Várzea da Palma (cidade vizinha à 36  km).
Em homenagem a Maria da Conceição Luzia existe dentro do perímetro urbano uma Escola Municipal com sue o nome.
_______________________________

Proibida a reprodução e cópia deste conteúdo para fins lucrativos. 

Proibida a divulgação do conteúdo sem a fonte: lassancense.blogspot.com e o Autor: Aílton Soares.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...